Mostra Aurora marca a chegada de Lúcia Castanho, Laura Mattos, SENK, Paulo Otávio e Gabriel Villas Boas ao elenco da galeria e reúne obras em múltiplas práticas como pintura, fotografia, escultura, objeto e instalação.
A DAN Galeria Contemporânea apresenta, a partir de 25 de fevereiro, a coletiva Aurora, com curadoria de Magnólia Costa. Reunindo obras de Lúcia Castanho, Laura Mattos, SENK, Paulo Otávio e Gabriel Villas Boas, a exposição abrange pintura, fotografia, objetos, escultura em relevo e instalação. A mostra marca a estreia dos cinco artistas no programa de representação da galeria, após recorrente participação no projeto DAN Acredita.
Mais do que propor um eixo temático, Aurora reúne trajetórias em momento de afirmação, aproximadas pelo convívio entre linguagens e pesquisas distintas. As obras dialogam menos por afinidades formais e mais pela experiência compartilhada de transição para um novo estágio de visibilidade pública.
No campo da pintura, Laura Mattos parte de cenas domésticas para refletir sobre a invisibilidade e a carga física, mental e emocional do trabalho feminino. Sua prática dialoga com a fotografia encenada, tensionando os limites entre realidade e construção imagética. Lúcia Castanho, por sua vez, transita entre pintura, desenho, vídeo, fotografia e foto performance. Suas produções recentes concentram-se na água, na memória e na figura feminina, articulando referências literárias e experiências pessoais. A fotografia performativa, em sua pesquisa, amplia e desdobra o gesto pictórico.
A relação entre pintura e espaço atravessa também a produção de SENK e Paulo Otávio, ainda que por caminhos distintos. Com trajetória ligada ao grafite, SENK leva à galeria uma pesquisa que dialoga com a cidade e a cultura urbana, combinando pintura figurativa, objetos e instalação. Seu domínio de escala e ocupação espacial se evidencia em uma obra inédita de grandes dimensões concebida especialmente para a mostra. Paulo Otávio investiga formas geométricas primordiais em esculturas em relevo que tensionam bidimensionalidade e tridimensionalidade, articulando precisão industrial e gesto sensível. Para a exposição, o artista apresenta trabalhos inéditos, entre eles um díptico desenvolvido para a ocasião.
A fotografia ganha protagonismo na pesquisa de Gabriel Villas Boas, que exibe imagens aéreas de grande formato realizadas com drone e a partir de experiências em contato direto com a natureza. Impressas digitalmente em tela, as ampliações reforçam a dimensão contemplativa de seu trabalho, no qual a paisagem se torna campo de observação e deslocamento.
Criado como iniciativa de acompanhamento e desenvolvimento de artistas em processo de consolidação, o projeto DAN Acredita estrutura um modelo de atuação voltado à construção de trajetórias de longo prazo, reafirmando o compromisso da galeria com a formação e inserção consistente de novos nomes no circuito.
Leia abaixo o texto curatorial de Magnólia Costa:
Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Carlos Drummond de Andrade
A noite dissolve os homens, 1940
Antes de o sol despontar, o céu clareia timidamente. O azul denso da noite se tinge de violeta e um tom rosado se insinua entre nuvens. O que antes mal se via começa a aparecer, manifestando-se repentinamente em plena lucidez.
A imagem do romper da manhã inspira esta exposição que celebra a chegada de cinco novos nomes ao elenco de artistas representados pela Dan Galeria: Gabriel Villas-Bôas, Laura Mello de Mattos, Lucia Castanho, Paulo Otávio e Senk.
Da fotografia à pintura, da escultura ao grafite, os meios utilizados por estes artistas são tão diferentes quanto suas linguagens. Eles pertencem a gerações distintas e se conduzem por processos singulares, mas buscam algo em comum: produzir uma obra consistente, coesa e de grande apuro formal.
Que a claridade desta Aurora dê a ver a poesia de Gabriel Villas-Bôas, Laura Mello de Mattos, Lucia Castanho, Paulo Otávio e Senk. Que este primeiro encontro com o público se repita a cada dia.
SOBRE A CURADORA
Magnólia Costa é doutora em Filosofia pela USP, crítica de arte, curadora, professora de história da arte, ensaísta, editora e tradutora. Lecionou no MAM São Paulo entre 2001 e 2021, onde chefiou o Setor de Pesquisa e Publicações e foi diretora de Relações Institucionais. É docente do SEER, programa de altíssima liderança da Exame | Saint Paul Escola de Negócios. Fundou a plataforma de ensino a distância que leva seu nome, ativa desde 2019 e certificada com o selo DNA USP de inovação. É autora de Nicolas Poussin: Ideia da paisagem (Edusp, 2020), laureado com o prestigioso Prêmio ABEU de Melhor Livro de Linguística, Letras e Artes. Publica regularmente artigos sobre filosofia e crítica de arte no blog Arte com Mag. É membro do ICOM (International Council of Museums, Unesco) e da ACBA (Associação Brasileira de Críticos de Arte).
SOBRE A DAN CONTEMPORÂNEA
A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria, completando o quadro de direção dela. Nos últimos vinte anos, a galeria exibiu: Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport. Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin. A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino e François Morellet. O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol, Teodoro Dias, Denise Milan e Gabriel Villas Boas (Brasil); os internacionais, Bob Nugent (EUA), Pascal Dombis (França), Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras.
Serviço: Exposição Aurora, com curadoria de Magnólia Costa na DAN Galeria – Rua Amauri, 73 – São Paulo. Preview: 25 de fevereiro. Abertura: 28 de fevereiro. Período expositivo: de 25 de fevereiro a 18 de abril. Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos sábados. Entrada gratuita. Classificação: livre. Mais informações: dangaleria.com.br